Curadoria Renato De Cara

Artistas no acervo

Alberto Cidraes
Dorothy Bastos
Evandro Carlos Jardim
Guima
Inimá de Paula
José Vieira Filho
Manabu Mabe
Maria Florença
Massao Ido
Miguel dos Santos
Minamiguchi Mitsuo
Regina Tsuchimoto
Salete Mulin
Shen Teh Chi
Shungo Sekigushi
Silmara Watari
Taro Kaneko
Tikashi Fukushima
Tomie Ohtake
Yugo Mabe

Artistas convidados

Aline Moreno
Bruno Oliveira
Angerami
Felipe Riskevich
Gal Oppido
José Raimundo
Marga Ledora
Marina Godoy
Mauricio Parra
Vina Essinger

"A natureza incuba a metáfora da forma e tresnatura formas em morfose"

Haroldo de Campos

Em continuidade à poesia das paisagens e passagens - proposta pela curadoria de Jurandy Valença na primeira exposição comemorativa dos 50 anos da Fundação Mokiti Okada (FMO), no primeiro semestre de 2021 - seguimos agora olhando à procura das representações dos ventos e suas manifestações na natureza, seus efeitos no ambiente, nas cores da atmosfera e suas operações funcionais na manutenção da vida.

Desde o início da pesquisa, em contato com o acervo (formado no Salão Brasileiro de Arte, que a FMO promoveu na década de 1980), notou-se a profunda relação que a cultura oriental mantém com as estações do ano e suas particularidades climáticas: vemos a pulsão nas oscilações de temperatura e as luzes que destacam ou escondem os elementos. Assim como as transformações no decorrer do tempo, o desequilíbrio provocado pela humanidade em seus ciclos nos atualiza diante dos argumentos. Elaboramos então uma narrativa onde vemos não apenas uma repetição esvaziada da exuberância das formas e das cores das paisagens, mas também uma perspectiva da passagem deste mesmo tempo nas representações escolhidas.

Dado o momento de incerteza pelo qual passamos, a exposição insiste nesta procura renovada, pelos olhares dos artistas elencados. As obras do acervo são postas em diálogo com uma variada produção visual atual, tanto no suporte como nos autores: autodidatas ou acadêmicos, do oriente e do ocidente, oriundos de regiões e gerações distintas. Destacam-se as mensagens e particularidades encontradas em variadas proposições.

Apresentando uma seleção múltipla, balanceada pelos climas e por certas representações do invisível vento, constrói-se uma narrativa para a mostra. Nas formas e nas técnicas, os artistas se deixam levar pela brisa e pelos encantos naturais. Detalhes, texturas, mitos e símbolos de cada estação. Sombras, volumes e os tons das luzes girando com o sol. O vermelho alaranjado e a intensidade do verão; o azul do inverno e o tempo de hibernação; o período fértil das flores na primavera; os tons terrosos da colheita do outono.

Entre os suportes - pinturas, gravuras, esculturas e fotografias, procuramos criar uma profusão imagética para o passado, o presente e o futuro. As obras podem ser abstratas, figurativas, ingênuas, explícitas, enigmáticas, oriundas da cultura erudita ou popular - destes cruzamentos na construção dos signos, entre tradições e provocações, entendemos um modo de pensar a arte contemporânea.

Para continuarmos a habitar o planeta temos que atravessar uma tomada de consciência e recuperar o vínculo com a vida. Mesmo cheios de dúvidas, seguimos equilibrando formas na harmonia das referências naturais que ainda podemos desfrutar. Dos fenômenos, a vida que ainda pulsa; as flores que nascem e as folhas que caem; a terra encharcada de água, a pedra lavada; o sol e a lua e as estrelas no céu. E nós aqui, presenteados pela magnitude divina, enfrentando como podemos os desafios das intempéries.

Renato De Cara
Agosto de 2021

Sei Shônagon
O livro do travesseiro, Editora 34

"Da primavera, o amanhecer. É quando palmo a palmo vão se definindo as esmaecidas linhas das montanhas. E no céu arroxeado tremulam delicadas nuvens.
Do verão, a noite. Em especial, os tempos de luar, mas também as trevas de vagalumes entrecruzando-se em profusão. (...) A chuva também é igualmente bela.
Do outono, o entardecer. São os momentos do arrebol, da tarde, em que o sol se acha prestes a tocar as colinas, quando se tornam comoventes os corvos que se apressam para os ninhos. (...) O sol já posto, melancólico, soa o ciciar do vento e o canto dos insetos.
No inverno, o despertar. Indescritível é com a neve caindo, e nele incluo a ofuscante brancura da geada. (...)
O sol já nas altura, e o frio mais ameno, não nos cativa mais a brasa já quase tornada cinzas no braseiro portátil."

 

VISITA GUIADA COM CURADOR

VISITA VIRTUAL

COMENTÁRIOS

DEPOIMENTOS

INFORMAÇÕES

Período: de 09 de novembro de 2021 a 11 de fevereiro de 2022
Visita presencial: 2ª, 4ª e 6ª feira, das 10 às 16 horas (fechado no finais de semana e feriados).
Agendamento: Clique aqui, pelo e-mail: culturaearte@fmo.org.br ou telefone: 5087.5056 / 5086
Endereço: Rua Morgado de Matheus,77, Vila Mariana, São Paulo (SP). Próximo ao metrô Ana Rosa.

Entrada: Gratuita
Exposição organizada pelo setor Cultura e Arte, da Fundação Mokiti Okada, e segue todos os protocolos de saúde e segurança.

agendar visita